O Seminário teve o objetivo de ampliar a visão e discussão dos direitos à terra e território no estado do Piauí durante os dias 24 e 25 de maio, cerca de 50 pessoas estiveram presentes aprendendo e partilhando conhecimento sobre o tema na Casa João XXIII, sede da Diocese de Floriano, onde o seminário foi realizado.

A luta das comunidades e povos tradicionais pela terra e território não é de hoje,  no entanto, ela vem sendo mantida necessária diante da ausência da reforma agrária e da continuidade da concentração e exploração de terras nas mãos de poucos.

Terra é uma área onde vivemos, o chão onde cultivamos, onde construirmos e nos relacionamos uns com os outros e com o nosso meio ambiente. É fonte de sustento. É onde trabalhamos e sobrevivemos.”

O capital não se importa com as interrelações entre o homem a mulher e o meio em que vivem, o lucro é acima de tudo e todos, por isso, viola, contamina, explora, destrói e mata a natureza, as pessoas, a vida, a exemplo disso tempos os impactos e conflitos no campo causados pela mineração, desmatamentos e o agronegócio.

Território se denomina entre limites e cultura, território é amplo a terra. É um espaço entendido como lugar de vida e produção, o território vai além do espaço ocupado pelo ser humano e animais que devido ao crescimento do agronegócio, cresceu também a evasão dos bichos e até mesmo do ser humano do seu habitat natural..”

Estes conceitos foram trazidos durante o seminário pelos grupos de discussão com a proposta de ampliar a compreensão de cada um e da necessidade de organizar a luta a partir daquilo que as comunidades tem, querem e precisam.

O Território que temos

Na construção de uma fotografia para melhor visualização, foram trazidos elementos de potências presentes no territórios como: buritizal; nascentes, rios e brejos; animais silvestres; frutos nativos; plantas medicinais; espiritualidades, associação, trabalho coletivo na roça, a cultura e tradições, rezadeiras e benzedeiras, tucum, carnaubal, plantação de caju, grupo de quebradeiras de coco, povos tradicionais há mais de 200 anos vivendo em seus territórios, biomas conservados, são muitas as potencias encontradas nos territórios do Piauí, mas  infelizmente, toda essa paisagem tem sido modificada violentamente.

Essa imagem acima construída por séculos pelos povos tradicionais vive ameaçada por diversos conflitos existentes como:

  • Conflitos socioambientais, violações de direitos e ameaças de morte;
  • Mineradoras de calcário e perfuração de minérios de ferro;
  • Agronegócio. desmatamento, grilagem de terras, impedimento do direito de ir e vir com a limitação dos territórios, trabalho escravo;
  • Contaminação por agrotóxico, envenenamento das lavouras, águas e migração de pragas, além de perfuração desordenada de poços para uso irregular dos lençóis freáticos;
  • Fogo criminoso, destruição dos vegetação nativa e extinção de animais silvestres;
  • falta de apoio do governo para as comunidades e povos tradicionais, ausência ou insuficiência de políticas públicas voltadas para agroecologia e agricultura familiar, enquanto há um amplo e fácil incentivo das políticas às empresas que se instalam nos nossos territórios, gerando essa desigualdade, ademais o poder judiciário deixa a desejar m sua ação o que contribui para destruição dos territórios;

O território que queremos

Queremos um território livre, regularizado com uso coletivo, voltado para o bem comum de todos e todas. Territórios preservados, livre da contaminação de agrotóxicos, nascentes recuperadas e matas ciliares reflorestadas e preservadas, sem desmatamento, dando vida aos animais, rios, com a garantia dos modos de vida e das futuras gerações.

Queremos políticas públicas voltadas para as mulheres e juventude camponesa, garantia dos direitos, sem trabalho escravo. Saúde e educação de qualidade no campo, do campo e para o campo, povos e comunidades fortalecidas em suas identidades, que estes, tenha oportunidades de geração de renda comprometida com a vida e o meio ambiente, fomentando a agricultura familiar e a produção agroecológica.

O Seminário trouxe uma abordagem dinâmica e construtiva para quando os e as participantes voltarem para os territórios possam fortalecer a caminhada e a luta pela terra que não pode parar. 

Luta pela Terra

A luta pela terra realizada pelas comunidades e povos diversos do Brasil sempre foi uma das principais motivações, tida como prioridade na criação da Comissão Pastoral da Terra, há 50 anos, ainda hoje, essa luta é sinal de resistência e caminhada desses povos que, nesse meio século, mesmo com alguns avanços, essa luta permanece viva e pulsante.

No Piauí, essa luta também era presente no início e continua atualmente, sendo convertida em diversas frentes, seja no enfrentamento, na ação estratégia de incidência política, nos processos de formação e informação de trabalhadores e trabalhadoras rurais sobre seus direitos.

Essa realidade da permanência das resistências dos povos propõe uma reflexão acerca do quanto esse tema não é visto pelos gestores públicos, reafirma ainda a presença de um sistema que continua a beneficiar latifundiários em nome do capital, em detrimento de trabalhadores rurais, posseiros, quebradeiras de coco babaçu, lavradores, pescadores, quilombolas, indígenas e tantos outros povos que reagem exigindo Reforma Agrária, regularização de terras e Direitos Territoriais.

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Texto e Imagens: CPT Piauí